Sunday, April 20, 2008

série das coisas que merecem ser reditas - nº 001

displicente sorrateira sorrio um olhar sem licença escorregadio devagar falo e silencio. assustas. adoro!

Monday, April 14, 2008

falando em querer...

Este silêncio interno, propulsor de pensamentos inóspitos, contraposto aos pensamentos histéricos que dele se origina. Violência e devaneio. Vida devassa e sem sentido. Falta de tudo, de nada, de coisa alguma. Hino sem canto. Medo aparente de coisa abstrata. Loucura irregular e sem função. Digo isso como se loucura tivesse função. Me auto-ridicularizo contradizendo a frase ante citada, e me contraponho a minha contradição num movimento cíclico e infinito e afirmo o afirmado e desmentido. Sim tem razão a loucura que me cerca. A mesma de um pilar que sustenta o edifício, a mesma da fé que cura mal, a mesma do artista que corta sua orelha pelo valor da estética. Razão concreta ou não, aquela que só o próprio ser é capaz de entender. Razão que condensa em si a verdade crua, verdade onde se edifica uma vida, na certeza que só nela se pode edificar qualquer coisa. Crua por ser um busca solitária, intensa e dolorida. Movida por amor me desnudei dele, seca. Fria e gélida, passível de pena por mim mesma. Assim, sinto nada, por ninguém. Não há do que me queixar, não há sonhos a realizar, não há lamentos, nem há mais lágrimas. Precipício e cheiro de fim. Se houvesse odor, o desamor cheiraria algo insuportável. O amor, maldito, cheira o que de mais agradável existe no universo, seu cheiro fica colado nos pêlos, na pele. Vicia e excita. Depois vai se dissipando, como um perfume que se usa muito e já não se sente mais. Até chegar a ser inodoro. E então vem um cheiro ruim, de coisa queimada. E é cheiro de lixo, de podridão. Fugimos desse odor, fugindo dos nossos fantasmas. Corro se destino, por circuito conhecido. Longe do amor, e do cheiro do desamor. Não sei o que me incomoda mais. A solidão intensificada pelo “estar só”, amando tanto, ou o hostil inerte negro poço do não amar. Não quero mais nenhum dos dois. Quero liberdade, quero novos horizontes, quero carinho e sexo. Ponto e exclamação, sem nenhuma reticiência. Sem precisar ter alguém ao meu lado pelo resto de sua vida, invadindo todos os meus planos, reagindo a cada um de meus passos, pelo menos assim eu desejando. NÃO! Quero caminhar com minha morada feliz ainda que só. Quero necessitar apenas de mim, e nada mais fazer pelo outro. Quero o equilíbrio do bem e do mal. Espero um pouco essa minha temporária morte, pra então restabelecer uma nova vida. Sem você. Porque pra ti não terá espaço algum. Tomei-o todo para mim. Te quero longe, te quero fora. Ai como machuca dizer... mas, não te quero mais.

Monday, April 7, 2008

Retorica!

O choro do estupro. A estupidez. O esquecimento que nem faz mais parte. E eu parei no capitulo 3 do livro frances. Talvez continue, talvez eu de! A pontada no ego que doi mais que a pontada da gastrite. Filha da Puta. Ela voltou. Ou estava ali, so de butuca, esperando a hora certa para me pegar. Desprevinida. E eu que nao aguento mais ter os olhos rasos d'agua. E a falta de casa. Sei agora que uma pasta de dente tem certa durabilidade. Os emails. O mundo inteiro. Voce e eu. E eu e voce. A decisao. Falar ou nao falar eis a questao. Ser feliz e nao saber do amanha. E nem ao menos se preocupar com isso. Pegar um velho disco e escutar ate riscar. Novamente a insonia. Pego um voo daqui a algumas horas. E nem mesmo sei do meu destino. Ja cansei de querer saber. Nao quero mais as cartas, e nem o benzimento. Quero que a Mae cuide dos filhos. Ainda os amo. Mas nao eh para mim. Ja decidi. Quero um Goldie. Que vai chamar Benjamin. Ou quem sabe Chico. So isso. Cansei das palavras ditas em vao. Cansei de cansar. Quero vida.
Quero o esquecimento. Quero....quero tanto...e nada quero. Quero o poder de nao querer mais!

Tuesday, April 1, 2008

Sobre vício, vida e chulé!

Estou com um vício devasso. Esse entorpecente de palavras. Essa angústia que expulsa de mim letras e sílabas que me pertencem. Mania maldita que me revela, me põe na bandeja, me deixa ridícula, me faz tola. Gesto incontrolável que informa meus passos, dita minha temperatura, de deixa e exposta e revela-se a mim mesma. Nego-me à tentação. Recuso me a aproximar de folhas em branco, mas comecei a escrever em livros sobre palavras bem melhores que as minhas. E nessa luta desleal, perdi. E aqui estou. Alias perco sempre em todas as lutas. E perco o sono também. E na falta dele me ponho do avesso. Conto carneiros, fantasio loucuras, e busco lembranças remotas de minha infância, onde meu sono era, geralmente, tranqüilo. E todos esses pensamentos me fazem sentir uma atração detestável em descrevê-los. O sono não vem, e ponho a relembrar algo que pulsa em mim, me vem a mente sem que eu me esforce pra isso, é a sensação invasiva que sentia ao entrar em uma boneca gigante, chama-se Eva, no parque de diversão Playcenter. Alguém se lembra da Eva? Era feita de algum tipo de espuma ou borracha. Cheirava chulé, uma vez que as crianças tinham que entrar sem seus calçados. Crianças brincando, correndo e transpirando num parque de diversões. O que cheiraria se suas meias molhadas passassem as centenas numa boneca de borracha e sem ventilação interna? Chulé! Não sei se era exatamente assim, mas é assim que me recordo, e o faço em detalhes, como se houvesse penetrado Eva hoje. Penetrar era um verbo que não conhecia quando era criança e caminhava pela Eva. Ela tinha um bebê, esta era a parte mais encantadora. Todos queriam chegar no ventre de Eva e ver o feto que ficava exposto. Era emocionante e ao mesmo tempo constrangedor. Que direito tínhamos de invadir aquela boneca? Não me lembro se tinha essa consciência na época, só me lembro que tinha uma sensação estranha. Sensação essa, resultado da soma da invasão de uma mulher grávida, cheiro de chulé com o fato do nome dela ser Eva. E Eva me fazia lembrar as odiáveis aula de religião que tive do jardim de infância (isso mesmo, jardim de infância) até a terceira série do primário. E sempre rolava esse papo de Eva, e diziam “coisas não muito boas” a respeito dela. Ela era acusada por ter sido expulsa do paraíso, porque comeu uma maça. Nem sabia porque raios uma maça tinha de mal. E a Eva tinha um nenê, era tão grandiosa, tão generosa deixando que todos a conhecessem, e era tão fedida. Mas não me parecia má. E tudo isso se juntava na minha pequena e infantil mente disléxica. E talvez eu esteja aqui falando dessas memórias, e cedendo as provocações da minha alma, e permitindo que essas palavras escapem de mim, porque me pareço um pouco com aquela boneca. Não atoa ela me veio tão forte a memória, e todo aquele período tão distante e aquelas sensações tão conflitantes. Eva, a boneca que tinha o chulé incrustado em sua pele, que era culpada de ter comido a maça, que se expunha tão inadvertidamente com sua cria no ventre, que conduzia visitantes pelo seu interior, que permitia ser invadida é um pouco o que eu sou hoje. Eu e esse vício de escrever. E talvez esteja no meu ventre, também, a maior de minhas jóias, a emoção e o âmago. Sou assim, meio culpada, meio monstro, meio generosa e tolerante. Permissiva e defensiva. Penso, até hoje, que o chulé da Eva, era o jeito que ela arrumou pra gente não ficar muito tempo lá.