Tuesday, March 4, 2008

Eu não escrevo mais. E, alias, nunca escrevi. Não venha mostrar fotologs, blogs...São textos sem medo. Textos de quem escreve sem corrigir as palavras no google, sem pensar em quem vai ler e montar hipóteses com técnicas de seriados policiais norte americanos. Veja bem, a menina em questão escreveu por mais de uma vez "coNHEcidencia" e nunca se preocupou em passar o corretor ortográfico. Ela, que não sou eu, por mais clichê que seja dizer que já não é a mesma, fez um texto sobre a visita a puteiros na augusta, outro sobre como mataria uma pessoa e ainda, sem meias palavras, agradeceu um elogio dizendo que seria melhor um elogio mais "baixo", do que um comentário sobre sua "inteligência". E era como ser stripper e saber que é gostosa, porque as críticas vinham, mas com a boca cheia d´agua, era um prazer dar a cara e gostar dos beijos ou dos tapas. E cada tombo poderia ser comemorado, porque viraria texto e poesia. Eu não sei quem disse que "se achar" é ruim, porque se perder não parece melhor.

Até que eu morri. A Elisa Lucinda escreveu que se morre várias vezes....e o mito de fênix afirmou isso antes...pois eu só lembro de uma morte. Digo, minha. Lembro de ter morrido uma única vez. E vamos falar de sexo, política, vida extraterrestre....inventem rápido um assunto, melhor se for tabu....só para eu não ter que falar sobre a tal morte.

Eu me vejo corrigindo cada palavra no dicionário, sem perceber o contexto. Eu, que nem te vejo mais, só me vejo olhando para os lado, procurando obstáculos. Eu, que nem falo mais de você, também não falo mais de mim. Eu, que não ouço mais seu nome, não passo por onde poderia ouvi-lo. Eu, que nem sei se você morreu, sei que eu morri. Eu, que nem gosto mais de você, também nem gosto mais de mim tanto assim.

E nunca foi culpa sua, e daí? Ser doloso ou culposo não diminui as consequencias. Eu nunca vi um difunto menos morto porque o assassino não teve a intenção de matar. Eu nuca acreditei em justiça, só em casualidades. E por acaso, não importa se foi culpa sua, seus passos pisaram no que eu era, não interessa se você viu o que estava no chão.

E eu, se fosse a menina que escrevia, continuaria escrevendo. Aqueles blogs, aqueles textos....mas como não sou....não dá. Por isso juro, eu nunca escrevi um texto. Eu, se tivesse escrito agora algumas frases, estaria preocupada com qualquer pergunta que pudessem me fazer, sobre você, sobre minha morte....

Eu vivo pensando em não me abrir, pra que ninguém encontre o medo que faz eco na porra do vazio que ficou, desde que você levou, sem perceber, o que eu considerava tão lindo e grande....que, para mim, seria impossível alguém não ver.

Se a garota que escrevia aqueles textos estivesse viva naquele momento, teria publicado em um jornal, com letras garrafais, seu nome pintado de vermelho, e linhas cortantes e poéticas embaixo, sem pensar em quem leria. E enterrado com esse tal jornal, há muito tempo, seu fantasma. Aconteceu ao contrário, foram as linhas cortantes não publicadas que a enterraram.
E agora vivo com medo que me perguntem dela....

Eu não escrevo mais. Se tivesse acabado de escrever um texto, certamente me perguntariam sobre ela e a já citada morte. Por isso eu não escrevi texto nenhum. Ela morreu engasgada. Eu nasci analfabeta.

Será que estou estou reaprendendo a escrever?

Na minha primeira carta pra você, estará escrito:

"Não te chamei para o velório, pois tive medo de perceber que o fantasma não era você."

4 comments:

D.C said...

Seja bem vinda! Abriu alas (um tom carnavalesco) muitissimo bem!
Infelizmente, ou nao, nossa dor nao sai no jornal, como ja dizia seu Chico!
amei.

mari gomes said...

Pelo amor d Deus Juliana! Foi vc quem escreveu isso? Estou estasiada, Ju. Nunca tinha lido um texto seu. Vc tá d muito parabéns. Lindo demais. E olha q eu costumo ser bem, mas bem crítica mesmo. Pra ñ falar cricri... rsrsrs

O link do seu blog já está no meu, se vc me permitir! Beijos lindona!

Mari

[n.s] said...

algumas pessoas escrevem errado pq sao disléxicas. e pra quem "nunca" escreveu, você arrasa! beijos

Celestino Boamorte said...

Cuidado...se as pessoas soubessem como jornal é feito, nunca o leriam...