Atenção atenção: este texto será escrito por um “Ser” disléxico, que não sabe ao certo se o correto é “este” ou “esse” texto. De verdade, sobre regras gramáticas sabe muito pouco, o pouco que conseguiu memorizar ao longo dos últimos 20 anos. Aprendeu, a muito custo, escrever porcamente, e lê mal e bem devagar até hoje. Apesar disso gosta de ler, sempre gostou de poesia e seu primeiro amor, sem dúvidas, foi Álvares de Azevedo.Piegas, mas verdade. Talvez o prenuncio de uma identificação, pois tal como o poeta, também é profundo e dramático. As pontuações escolhidas aqui, não fazem parte de nenhum manual de redação e nunca foi escrito em qualquer livro de gramática, diz respeito apenas ao do modo dessa pessoa de parar, respirar, pensar, e organizar, desorganizadamente suas idéias. As palavras também podem estar fora do padrão, e não houve nenhum tipo de consulta a dicionários e googles da vida. Posso falar ora em primeira pessoa, ora em terceira, ora em quinta (???) num mesmo parágrafo, como acabei de fazer. Posso referir a mim, referindo a ti, ou vice-versa. Seria cruel para qualquer revisor ler isto (ou isso) espontaneamente (portanto se você for revisor, pense duas vezes antes de seguir com a leitura), revisando então seria um sacrilégio (portanto se você for revisor, e não seguiu a minha primeira orientação siga a segunda, não tente corrigir nada aqui).
Pensei em pagar por um revisor, minutos antes de começar a escrever. Foi assim, escovava os dentes para dormir, e então sofri de uma saudade súbita e avassaladora, senti raiva, senti medo, senti tristeza, senti amor, senti desprezo e desespero... tudo junto em menos de 2 segundos, eu conclui que deveria escrever sobre o se passará, e depois lembrei-me de minha limitação com a orientação das idéias, com a junção das palavras e com a incoerência (para mim) da gramática. Constatei, já ligando o computador para começar a escrever (afinal sou impulsiva) que precisaria de revisão, e no milésimo de segundo posterior fiz nova constatação, essa um pouco mais elaborada, por isso como o texto é meu, e que se lixem a gramática abrirei um parágrafo para descrevê-la
Revisores são o meu oposto, são representantes das regras e da ordem, quero falar de sentimentos, de vivencias tão profundas quanto caóticas, o que um revisor faria aqui? Tiraria a metalinguagem do caos. O Caos literário falando do caos literal. Revisores são assim: corretos, frios, riscam uma palavra, e trocam uma letra só porque ela não está correta segundo a convenção criada por sabe-Deus-quem. E eu não gosto de convenções, de regras morais e balizadoras e não corrijo o que não está de acordo, eu apenas passo a acreditar que o “erro” é um novo método, é uma verdade que ainda não tinha sido testada. Os revisores não tem nada a ver comigo e com o que escrevo, submeter minhas palavras à formalização seria um erro irreparável, uma mutilação dilacerante (me perdoe a redundância, mas nesse caso foi intencional). Revisores corrigem olhando pra fora e pro futuro, o que os OUTROS vão ler, o que os outros vão pensar. E eu escrevo pra reviver o meu passado e para acalentar meu presente.
Seria então dois lados de uma moeda, ou o equilíbrio de duas forças opostas: eu e os revisores, cara-coroa, yin-yang, claro-escuro, Sol-lua, vida-morte, consciente-inconsciente. Vai ver que foi por isso que meu grande amor, tem como principal função a revisão.
Mas não se perca nessa minha não muito breve explicação. O motivo de ter cuspido o resto de pasta de dente que ainda estava em minha boca e sair, sem se quer enxugar as mãos, ligar essa maquina barulhenta e escrever, foi a explosão de sentimentos que me ocorreu, como já descrevi, começando pela saudade avassaladora,seguida pela raiva, depois pelo medo, não tenho certeza da ordem à partir daqui, mas talvez tenha vindo uma tristeza, misturada a um amor doído, com uma cobertura de desprezo pra mascarar a dor desesperada que senti. E para falar disso tudo e de como aconteceu, teria que falar de outras coisas antes, para que fique minimamente inteligível.
Fatos, fatos e fatos. Todos querem saber dos fatos, os famosos acontecimentos cotidianos. Não falarei, pois gostaria que o cerne “disso” fosse os acontecimentos interiores. No ponto onde pretendo chegar, o caminho não é descrição por situações superficiais, transcrição de discussões, ou relatos imprecisos de uma realidade vivida com os olhos. Preciso expor o efeito que esses acontecimentos externos tiveram na minha alma. Muito bem, também não tenho a intenção de tornar essa bobagem em uma biografia documental, e como depois de algumas letras cuspidas nesse papel velho, já me sinto aliviada e satisfeita, posso dormir e fazer ponto, sem mais delongas nem enlace final!
3 comments:
Coragem é jogar fora as borrachas...
Eu comecei a ler e ri. Nunca tinha pensado que eu mesmo, quando comecei a trabalhar como revisora e para isso estudar as regras gramaticais, decidi que ser revisora era fazer mudanças idiotas e não criar nada.
E os revisores tb são o contrário de mim, pelo menos do melhor de mim, aquele que escreve achando que um acento não é o que importa em um texto. =)
Gostaria eu tambem de saber quem foi que criou essa bobageira toda.
Gosto do inedito do ponto na hora da respiracao, e nao da respiracao do revisor e sim do autor, quero virgulas fora de ordem, quero exclamacao..quero a desordem!
eu? nada tenho com palavras.
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